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PARA DERROTAR O FASCISMO.

Atualizado: 13 de jan. de 2021

Com o cerco se fechando sobre Bolsonaro, a tendência é haver uma reação por parte do Presidente e seus apoiadores. Após as corajosas medidas tomadas pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello e Alexandre de Moraes, nos últimos dias - este expedindo mandados de busca e apreensão contra os criadores e os financiadores de fake News e, aquele, quebrando o sigilo da reunião ministerial do dia 22/04, o que tem representado um raio de luz em meio à escuridão que se apossava do país -, neste final de semana, pelo menos três grandes ações foram realizadas nas redes sociais pelas forças democráticas. Trata-se dos manifestos subscritos por juristas e representantes das mais diversas correntes políticas e sociais, em defesa da democracia, da Constituição Federal e do STF, denominados: #Juntos, #Basta e #Somos70porcento.

A par disso, movimentos de rua, iniciados pela torcida organizada do Corinthians, em São Paulo e pela juventude, em Porto Alegre, de caráter antifascista, têm ganhado espaço e mesmo inibido as manifestações unilaterais de apoio ao Presidente Bolsonaro e sua pauta antidemocrática.

Em boa hora essas ações acontecem, pois trata-se de reverter a onda fascista que vinha se agigantando e tomando conta do país.

Essa reversão, inclusive, encontra eco nas manifestações que ocorrem em diversas cidades dos EUA, tendo por origem a cidade de Minneapolis, depois da morte de George Floyd por um policial branco, de forma absolutamente cruel, na frente das câmeras. Manifestações que por certo já vão muito além do fato que as originou, dado a política desastrosa de Trump no combate à pandemia, ao desemprego gerado pela crise, à falta de um sistema de saúde e de uma rede de proteção social para os mais pobres e ao racismo estrutural. Tudo isso forma um caldeirão pronto para a explosão da qual a morte de Floyd foi apenas o estopim.

Causa-me, contudo, preocupação que a reversão da onda fascista não esteja ainda

suficientemente madura para mobilizar, mais do que corações e mentes, o aparelho de Estado que detém o monopólio da violência. Refiro-me, em primeiro lugar, às Forças Armadas e, em segundo, às polícias de todo país. Falo isso, pois, causou-me absoluta estupefação que a Polícia Paulista tenha partido para o confronto contra uma manifestação que ocorria na Avenida Paulista, promovida pelas torcidas organizadas do Corinthians e do Palmeiras, em favor da democracia. Não sei exatamente o que motivou o confronto, mas há meses vimos assistindo a reiteradas manifestações em prol do Governo Federal, com conteúdo antidemocrático, pedindo, por exemplo, intervenção militar, fechamento do Congresso Nacional e do STF, AI5 e, em nenhum momento, viu-se por parte do aparato policial qualquer reação contra essas manifestações, as quais, inclusive, estavam descumprindo as regras de isolamento social e para evitar aglomeração. Veja que estamos falando da polícia do Estado de São Paulo, sob comando do Governador Dória, notório desafeto do Presidente Bolsonaro, a qual teve uma reação policial de uma violência e implacabilidade que não se via há muito tempo.

Refletindo sobre esses fatos, a respeito do que já se sabe sobre a base do bolsonarismo, que, além dos seus seguidores mais fanáticos e dos evangélicos, congrega também uma boa parte da base das polícias civil e militar, da qual Bolsonaro sempre foi defensor e sobre o que ocorreu há pouco tempo no Ceará, envolvendo o que se chamou de motim da polícia militar, incitado por facções bolsonaristas dessa corporação, diante desse primeiro ensaio de um movimento de âmbito nacional de reversão da onda fascista que tomou conta do país nos últimos 2 anos, duas perguntas se impõe: de que lado ficarão as forças de segurança diante de um provável embate entre essas duas ondas? E, sobretudo, quando esse embate atingir o núcleo do poder, ou seja, Bolsonaro e sua família?

São perguntas que devem urgentemente serem feitas e serem motivo de atenta reflexão, pois, por mais positivo que seja esse movimento que começa a se levantar contra o ataque às instituições democráticas, ele por si só não basta para derrotar o fascismo. Na hora H o que vai contar é de que lado as forças de segurança ficarão.

É preciso, pois, ter muita cautela e não se deixar levar pelo entusiasmo. Contra o que aí está, não basta ter razão, pois já deve ter ficado claro nesse ano e meio de governo Bolsonaro que o que menos conta para eles é a razão. Esta foi necessária para convencer e mobilizar a sociedade. Mas só isso não basta. É necessário ver agora como fica a correlação de forçasjunto aos estratos que representam o monopólio da violência, dado que são esses estratos que detém as armas, e num eventual confronto entre as forças democráticas e antidemocráticas, o lado que estes ficarem será decisivo para definir a parada.

Tenhamos, pois, cautela em nossos movimentos e não subestimemos o inimigo.

(Sim, inimigo, pois é assim que o bolsonarismo trata seus adversários políticos e que,

infelizmente, temos de tratar também aqueles que praticam ações contrárias à tolerância e aos valores democráticos.)

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