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OS PAIS DO MONSTRO

Atualizado: 14 de fev.

A sede de poder do PSDB e do atual MDB, em 2014, levou ao golpe de 2016 que destituiu do poder uma presidente legitimamente eleita pelo voto popular. Quando os crimes de Aécio Neves, PSDB e Temer, MDB começaram a aparecer, as pessoas, que haviam embarcado no conto do combate à corrupção e de que, para acabar com ela e com a crise econômica, bastava tirar Dilma, se sentiram traídas e, agora, em 2018, aderem à proposta de radicalização do discurso. Radicalização levada a efeito por um deputado da Câmara Federal, até pouco tempo atrás, sem expressão: Jair Bolsonaro, a besta da extrema direita, surgida do pacto que os partidos mencionados fizeram com a quebra da ordem institucional. Partidos que, desde a redemocratização do país, haviam sido o fiel da balança da estabilidade das instituições e do respeito às regras do jogo.

Para levar, contudo, seu plano adiante esses partidos deram voz e vez a outro deputado de índole dúbia e que em 2015 consegue se eleger Presidente da Câmara Federal: Eduardo Cunha, do MDB, líder de um grupo de deputados sem expressão, alguns de partidos nanicos, integrantes do baixo clero e que passou a ser conhecido como “Centrão”. Entre estes deputados, transitava há 27 anos, portanto, em seu sétimo mandado, pelo Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro. Com as denúncias acossando o Presidente Temer e Aécio já abatido pelas delações da JBS, com gravação do seu achaque de R$ 2 milhões aos irmãos Batista, o governo se fragiliza e as reformas param de andar no Congresso. A economia não engrena e o número de desempregados só aumenta. Nesse cenário de calamidade, a política, na figura dos três maiores partidos - PT, MDB e PSDB - começa a ser demonizada, levando ao discurso – envergonhado e de auto-justificação - de quem apoiou o golpe de que “todos são iguais” e, portanto, ninguém presta.

Sintoma desse fenômeno foi que nas eleições municipais de 2016, o discurso que emplaca entre o eleitorado é o de candidatos que se apresentam como não políticos. Basta ver o que aconteceu em São Paulo, com o João Dória, PSDB, que se elegeu no primeiro turno e, em Belo Horizonte, com Alexandre Kalil, também em seu primeiro cargo eletivo, pelo obscuro PHS.

Nesse cenário de descrédito e desespero, com as eleições de 2018 se aproximando o horizonte se torna nebuloso e pré-candidatos sem tradição, de fora da política ou com pouca expressão, começam a acreditar que podem almejar voos mais altos.

Partidos novos são fundados, outros trocam de nome para se dissociarem do passado. Assim é que surgem o partido Novo (ainda que fundado em 2011, só obteve registro em 2015) e o Podemos (antigo PTN), ambos lançando candidatos próprios: João Amoedo e Álvaro Dias, respectivamente. Amoedo um executivo do mundo das finanças, milionário e que, só por não ser do meio político, apresenta-se como novo. E Alvaro Dias, velho na política, mas por ter conseguido passar praticamente incólume pela Lava Jato, encoraja-se a lançar-se candidato.

Boulos, também uma novidade na política, lança-se pelo PSOL e – para ficarmos apenas com os candidatos com um mínimo de viabilidade eleitoral - Bolsonaro, pelo inexpressivo PSL. Ex-militar que encontra, nesse ambiente de desespero, eco ao seu discurso de extremo preconceito e violência. O suficiente para fazê-lo líder nas pesquisas eleitorais, com o definitivo afastamento do Presidente Lula da disputa, para desespero do democrata de qualquer matiz.

Enquanto MDB e PSDB, os dois partidos mais tradicionais, amargam posições constrangedoras nas pesquisas, com seus respectivos candidatos, Henrique Meirelles e Geraldo Alckmin, sendo o primeiro desprovido de qualquer carisma, dado suas características essencialmente técnicas, e Alckmin, o picolé de chuchu que não empolga ninguém, sobretudo nesses tempos em que as pessoas desejam caras novas, desvinculadas de tudo o que aconteceu nos últimos anos e Alckmin, embora se apresentando como um moderado em meio a nova polarização PT x Bolsonaro, representa o velho, eis que se encontra em seu quarto mandado como Governador de São Paulo e em sua segunda tentativa de chegar à Presidência da República.

Então, aquilo que teoricamente seria fácil para os partidos tradicionais, sobretudo para o PSDB, chegar à Presidência, em 2018, após o segundo governo Dilma, um governo já cambaleante nos primeiros meses do seu segundo mandato e em decorrência do natural desgaste de quem está no poder, tornou-se praticamente impossível com o monstro que tais partidos ajudaram a parir, a partir do golpe de 2016, Jair Bolsonaro. O bárbaro que perdeu a vergonha dos seus próprios preconceitos, ignorância e ódio que professa contra as minorias, por conta da derrocada moral dos caciques do MDB e PSDB que, para tomar o poder e nele se manter, cometeram o golpe.

Tais partidos trocaram a possibilidade de uma eleição tranquila, em 2018, com grandes chances de sucesso, pela aventura do golpe e por dois anos de um governo fadado ao fracasso, dado os escândalos que cercam seus dois principais fiadores: Michel Temer, o vice traíra de Dilma Rousseff e Aécio Neves, o candidato mimado, inconformado com a derrota nas urnas, em 2014.

Agrava o quadro, a condenação de Lula, o único candidato em condições de derrotar a ameaça fascista já no primeiro turno. Condenação precipitada, levada a efeito por um Judiciário comprometido com um determinado espectro da política, cujo melhor representante é o PSDB, com apoio da mídia baderneira. Ocorre que eles não contavam com esse fenômeno da ultradireita que agora a todos ameaça, inclusive a própria sobrevivência das instituições democráticas.

De sorte que as fichas estão lançadas e é quase impossível prever o que vai acontecer.

Passando para o segundo turno Bolsonaro e Haddad o que prevalecerá: o fascismo ou o anti-petismo, considerando-se ter sido este último um sentimento de ódio insuflado pelos dois principais partidos de centro-direita do país que, no afã de tomar o poder antes do tempo devido, nos termos da lei e da Constituição, pariram o monstro da extrema direita, imprevisível e incontrolável, pelo grau de fanatismo e maus sentimentos que vem suscitando na população?

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