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NO RESTAURANTE

Dia desses fui almoçar num restaurante popular: R$ 6,90 livre. Chamou-me a atenção duas cenas. Uma protagonizada por uma mulher, a minha frente, na fila do grill, outra no caixa, na hora de pagar.

Quanto à mulher, foi comovente ver como as pessoas passam necessidade e nem sempre têm a oportunidade de ter acesso a uma alimentação farta e de boa qualidade, por um preço acessível. Não satisfeita em ter feito uma montanha em seu prato, ao chegar diante da chapa do churraqueiro, que ostentava uma relativa quantidade de carnes, ela não se fez de rogada. Foi pedindo um pedaço de cada tipo. Tantos que o churrasqueiro não sabia onde colocá-los na montanha que ela havia feito.

Chamou-me a atenção também que o dono do estabelecimento consiga ter lucro com esse preço, sem limitação do número de pedaços de carne por cliente. Diferente de outras cidades, como Porto Alegre, onde o segundo pedaço é cobrado à parte. Por outro lado, para o pobre essa é uma oportunidade única. Até quando vai durar, não se sabe. Então, como aquela senhora, o negócio é aproveitar.

A outra cena foi protagonizada por um senhor na fila do caixa. Após pagar o valor consumido – em torno de R$ 9,00, com o refrigerante – pediu uma nota fiscal para a atendente. Um nota em valor bem superior ao que havia pago: R$ 25,00. Ao que ela prontamente lhe atendeu, sem ao menos se constranger em fornecer uma informação falsa. Por certo, ele visa a um reembolso de valor superior ao consumido e ela a manutenção do cliente, a qualquer custo.

Tais atitudes nos deixam céticos quanto ao futuro do Brasil como um país sério. Se em nossos pequenos gestos cotidianos adotamos como comum a prática de mentir, fraudar um documento, levar vantagem como poderemos esperar que um administrador público ou de uma grande corporação faça diferente?

Assim, de um lado a mulher que enche o prato até mais não poder, fiando-se que o dono do lugar naturalmente não é bom de matemática e esse preço não vai durar muito. De outro, o indivíduo que engana o patrão, auferindo vantagem com um nota fiscal falsa, de valor superior ao efetivamente gasto. E entre todos esses, a atendente do estabelecimento, sem escrúpulos para lhe fornecer tal documento.

Tudo isso presenciado em questão de 30 minutos em que ali estive, entre me servir e pagar a conta. Imagina o que não acontece país afora, num dia inteiro de funcionamento dessa rica e expoliada nação!


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