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ENTREVISTA

Concedi hoje mais uma entrevista para a TV Câmara. A convite do Paulo MOnteiro, Presidente da Academia Passofundense de Letras. Não tinha nada de novo, em termos editoriais para trazer, pois ainda não consegui editar meu segundo livro de poemas que se encontra praticamente pronto desde a minha última entrevista. Mas conversamos sobre diversos assuntos.

É interessante como dessas conversas entre duas pessoas que compartilham o gosto pelo saber podem surgir temas instigantes para o debate. Falamos sobre a poesia, sobre a sua suposta "inutilidade" - tese do Paulo - que eu contrapus, usando do argumento do ócio criativo. No calor desta argumentação ocorreu-me uma idéia que achei interessante sustentar e a qual, acredito, pode ter ainda maiores desdobramentos. Trata-se da idéia de que a atitude do verdadeiro poeta ou do escritor é esta mesma: a de sustentar a sua inutilidade contra o utilitarismo da sociedade atual, pois na medida em que assim se coloca, como um inútil - o que me fez lembrar da música do Ultraje a Rigor dos anos 80: "Inútil, a gente somos inútil...", lembram? - o escritor se contrapõe aos valores dominantes, afirmando-se assim, como a antítese desta tese. E como antítese ou negação desses valores, o elemento fomentador da transformação, na medida em que como antítese provoca o surgimento de uma nova síntese (desculpem o pleonasmo, mas me pareceu inevitável).

Tarefa ingrata, esta do intelectual, é verdade, pois praticamente apedrejado em praça pública por essa atitude, sobretudo no interior onde a transformação demora mais para chegar.

E por falar em transformação, achei interessante também uma afirmativa do Paulo com relação a mudança da imagem que Passo Fundo está sofrendo em nivel nacional. Transformação esta detectada pelo Paulo por ocasião da viagem deste ao Rio de Janeiro, onde ele mais alguns membros da Academia de Letras de Passo Fundo estiveram visitando a Academia Brasileira de Letras, acompanhando o aluno vencedor do concurso promovido pela Academia daqui sobre Machado de Assis.

Trata-se da substituição da velha imagem de Passo Fundo como a cidade mais gaúcha do Estado, moldada pela música do Teixeirinha, para uma nova e mais moderna imagem: a da cidade que mais lê no Brasil, no embalo das Jornadas literárias e do título decorrente de Capital Nacional da Literatura. Nós que moramos aqui sabemos que as coisas não são bem assim, mas enfim... como intelectual - ou aspirante a tal - não posso negar satisfação que esta mudança esteja ocorrendo e nesse sentido.

Quem sabe nós, que moramos aqui - volto a repetir - não estejamos enxergando, como os de fora essa mudança e só vamos nos dar conta quando ela estiver definitivamente instalada e começar a dar os seus frutos, quais sejam, o surgimento e a valorização dos novos e bons autores locais, pois para mim, como autor, é isso realmente o que interessa e faz de um meio um irradiador de cultura.

Enfim falamos sobre diversos outros assuntos que podem ser conferidos na íntegra por quem assistir a entrevista.

Se a virem, aliás, me dêem o feedback da mesma, o que é sempre interessante para quem cria ou expõe alguma coisa.

A entrevista deve ir ao ar na próxima sexta-feira - dia 17-10 - com reapresentação no domingo - dia 19-10.

Um abraço e até o próximo post.

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