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BOLSONARO E AS BARATAS.

Passados nem 5 meses do governo Bolsonaro, seus eleitores já estão percebendo que apostaram no cavalo perdedor. Deve ser duro para eles admitirem, sobretudo em tão pouco tempo, mas é fato que Bolsonaro não está à altura do cargo para o qual foi eleito. Sequer para fazer o serviço sujo da Reforma da Previdência mostra-se capaz. Tarefa após a qual poderia ser facilmente descartado, como já fizeram com o Cunha não há muito tempo, após o serviço sujo do impeachment da presidente Dilma Rousseaff. Sujo porque o impechment – não à toa denominado golpe, desde a primeira hora, pelas forças progressistas – baseou-se em fatos juridicamente frágeis para sustentar o impedimento de uma presidente legitimamente eleita.

Com Bolsonaro agora acontece a mesma coisa. Eleito para conduzir a pauta dos setores conservadores da sociedade, não tem se mostrado capaz de cumpri-la. Tanto que passado apenas alguns meses do seu governo, já se cogita o impeachment. Só o que o segura no cargo ainda é a possibilidade – cada vez mais remota - da aprovação da Reforma da Previdência, dado o elevado grau de desgaste político que representará a implementação de medidas tão duras contra a sociedade. Impedir Bolsonaro antes disso representaria um sacrifício inútil para os setores da economia que o apoiaram, sobretudo em tão pouco tempo.

Não se deram conta, no entanto, do incrível instinto de autopreservação das baratas de que Bolsonaro, como deputado inexpressivo por quase 30 no Congresso Nacional, é dotado. Bem sabe ele que suas luzes são limitadas e até onde pode ir. Sua eleição para a presidência da República foi uma surpresa até mesmo para ele. Sabe ele, no entanto, que foi eleito por motivos além dos aparentes - do combate a corrupção e de um nome novo na política (novo porque afinal o sujeito passou 30 anos de forma despercebida). Sabe que foi escalado para fazer o jogo das forças políticas e econômicas que o puseram no poder, entre eles, o da tão decantada e famigerada Reforma da Previdência. Intuindo isso, dá-se conta o Capitão que uma vez cumprida essa inglória tarefa, ele se tornará rapidamente descartável, diante do seu nítido despreparo e falta de civilidade. Afinal, não é segredo para ninguém, que Bolsonaro só chegou ao cargo porque não havia outra opção mais palatável para tirar o PT do poder.

Percebendo isso, Bolsonaro tergiversa sobre o tema. Não se empenha, como deveria, pela aprovação da Reforma, e isso não apenas pela sua monumental inépcia, mas pelo instinto de autopreservação de barata de que é dotado. Não é à toa que o sujeito sobreviveu a quase 30 anos de Congresso Nacional. A estupidez às vezes – quase sempre em se tratando de medíocres – é a forma mais eficaz de garantir a própria sobrevivência. É preciso se esconder nas sombras, criar fatos como balões de ensaio, dar corda a seus ministros tresloucados, fazer afirmações sem pé nem cabeça, depois desmentidas, endossar posições de gente de fora do governo e sem qualquer compromisso com o país, tudo isso para manter a mídia, a opinião pública e a oposição ocupadas. Enquanto isso ele vai levando com a barriga para ver se consegue acertar uma, na tentativa de ver seu prestígio subir e escapar das chineladas dos seus opositores. Ou seja, praticar aquilo que mais sabe: a astúcia dos mais fracos, tais como os ratos e as baratas.

Enquanto isso, aqueles que o puseram lá, especialmente os militares, os banqueiros e o alto empresariado, não sabem como lidar com o sujeito: para os militares, tirá-lo tão cedo, passado apenas 4 meses de governo, pode soar como mais um golpe, pondo em risco a credibilidade do seu sucessor. Para os banqueiros e os empresários, mantê-lo no poder por mais um tempo pode representar um preço muito alto a pagar, com grave prejuízo à economia, especialmente por suas insanidades na política externa.

É provável, no entanto, que o deixem mais um tempo no poder, fazendo o possível para mantê-lo manietado nesse período, até passar a Reforma da Previdência, para, depois, dentro de uma aparência jurídica, ver o que é possível fazer para tirá-lo do poder, com o menor estrago possível.

Enquanto isso, nós, pobres mortais, amargaremos os resultados da insanidade em que nos meteram os partidos tradicionais, especialmente PSDB e PMDB, ao embarcarem na aventura do golpe de 2016 e dos arroubos moralizantes de um juiz e um procurador de província contra a política nacional, levando o país ao caos econômico e às insanidades do atual (des)governo.

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