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A PIRÂMIDE DE MASLOW E A REFORMA TRABALHISTA.

Atualizado: 13 de jan. de 2021

Abraham Maslow foi um psicólogo americano da primeira metade do século XX, celebrizado pela famosa pirâmide, batizada com o nome do seu criador, a Pirâmide de Malsow, também conhecida como a Hierarquia das Necessidades de Maslow.

Para quem não conhece, é uma interessante e esquemática forma de classificar as nossas necessidades, das mais básicas, como as fisiológicas, até as mais elevadas, como as necessidades de auto-realização.

Dividida em cinco estágios, compreende, no seu nível mais básico as necessidades fisiológicas, entre as quais o sexo, a fome, o sono, a excreção e outras. Após, tem-se o estágio das necessidades de segurança, entre as quais incluem-se a necessidade de ter um trabalho, recursos para manter-se a si e à família, ter uma propriedade, entre outras. O terceiro estágio envolve as necessidades de amor/relacionamento, que compreende ter amigos, família e intimidade sexual. O quarto estágio, diz respeito às necessidades de estima, as quais compreendem a auto-estima, o reconhecimento social, o respeito dos outros e pelos outros. E, finalmente, o quinto estágio, referente às necessidades de auto-realização que nada mais são que a possibilidade de o ser humano desenvolver plenamente todo o seu potencial. Nas palavras de Maslow ...temos que ser tudo o que somos capazes de ser, desenvolver todo o nosso potencial.

Note-se que a teoria tem uma peculiaridade, pois Maslow afirma que para atender as necessidades mais altas temos que ter atendidas as mais básicas. Faz sentido, pois que aspiração de auto-realização um ser humano desempregado, com fome ou doente pode ter?

Não é de hoje que um país como o Brasil vêm tolhendo aos seus filhos a possibilidade de atingirem o último estágio. Quanto muito, os considerados bem sucedidos atingem o quarto. A atual Reforma Trabalhista, contudo, está condenando às futuras gerações, entre eles aos nossos filhos, mas com certeza aos filhos das classes menos favorecidas, a sequer conseguir satisfazer as necessidades do primeiro estágio, pois o segundo, relacionado à segurança de um trabalho e recursos para manter-se e à sua família, estão lhes sendo negados.

Afinal, que segurança um trabalhador chamado para atender às necessidades pontuais da empresa, através do chamado trabalho intermitente, terá de garantir o seu sustento e da sua família? Estar-lhe-á sempre pesando sobre a cabeça a espada da anomia, de não ser chamado, de não conseguir, por mais que faça, satisfazer as suas necessidades, pois com esta forma de trabalho, o valor da hora não terá mais de corresponder, necessariamente, ao valor da hora do salário do trabalhador regular, para a mesma atividade e sequer ao hora do salário mínimo.

Que segurança, outrossim, um trabalhador, premido pelas circunstância de uma economia instável como a brasileira, com altíssimo nível desempregado, terá a possibilidade de negociar as condições de trabalho, a ponto de tal negociação valer mais que o legislado?

A terceirização da atividade-fim, igualmente, expõe os trabalhadores à sempre possível demissão para a contratação de uma empresa prestadora em seu lugar, a chamada pejotização das relações de emprego.

Enfim, são precarizações que detonam com o segundo estágio da Pirâmide de Maslow, aquela que diz respeito a segurança de ter um trabalho e recursos para se sustentar e sustentar sua família, o mínimo, enfim, que pode se esperar de uma sociedade civilizada, cujo grau de produção, neste começo de século XXI, é bem capaz de dar a todos uma vida digna para que os estágios acima sejam aspirados, em especial aquele que diz respeito à auto-realização. Estágio este último que nos torna efetivamente humanos, pois os demais, mutatis mutandis, até os animais realizam, tais como ter uma família e o reconhecimento do seu bando.

Em outros palavras, a Reforma Trabalhista de Temer nos remete à condição de seres exclusivamente preocupados com a sobrevivência, não tendo outra aspiração que não esta: a de produzir, produzir, produzir ainda mais para a acumulação estúpida e autofágica do capitalismo.

Acumulação que já há algum tempo tornou-se exclusivamente financeira, por conta das absurdas taxas de juros que o mercado financeiro pratica contra a economia real, seja pela via do consumo – cujo crédito ao consumidor inviabiliza a compra a prazo -, seja pela via da produção – cujas taxas praticadas, quando não subsidiadas pelo Governo, são muito superiores ao retorno do capital investido. Isso para ficarmos apenas na iniciativa privada, pois contra as Administrações Públicas, o ataque também ocorre via sistema da dívida pública, que mantém os governos garroteados às altíssimas taxas, para rolagem da dívida, comprometedoras dos orçamentos nacionais.

Contudo, a cegueira dos patrõezinhos da Fiesp e do Governo retrógrado da M. do Temer insiste que a solução do problema da crise e do desemprego está na desregulamentação das relações de trabalho e na sua precarização, quando esta é apenas mais uma resposta inconsciente – e burra – à exploração do capital financeiro que a todos fustiga: patrões, empregados e governos e que só fará em aprofundar ainda mais a concentração de renda na mão dos financistas.

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