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NOVO

Voltando a escrever.

Já havia dito isso da outra vez.

Mas agora, mais prosa do que poesia.

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Sou um filho ingrato da poesia. Fui adotado por ela, mas sempre almejei escrever mais prosa: crônicas, ensaios, contos, romances. Agora que as coisas estão serenando em minha vida, vou tentar recuperar o elan criativo que tive há alguns anos. Elan interrompido por causa da faculdade, depois pelo novo emprego, pela separação, enfim... Com isso o anos passam e quando a gente se dá por conta lá foram 10 anos.

Mas chega de papo que o lance aqui é mostrar serviço. Então lá vai minha nova criação.

Espero que apreciem.


TOQUEMOS JUNTOS


Me comporto como se tudo fosse música. Ajo governado por meu ritmo interior.

Ocorre que este ritmo nem sempre concorda com o ritmo do mundo e, então, saio de compasso. Tenho que sintonizar novamente o ritmo das coisas e esquecer por um momento a minha frequência interior. O que é sempre um processo doloroso e estressante, pois quando isso acontece tenho de fazer um esforço, afinar o ouvido novamente para ouvir a música que o Universo está tocando.

Sim, o Universo. Pois creio que a expressão a “harmonia das esferas”, usada por Newton, não seja apenas uma metáfora para expressar a perfeição da gravitação universal da órbita dos planetas, mas a expressão para a ordem subjacente de todas as coisas: a música.

E música é ritmo. E ritmo é matemática.

Pitágoras já dizia quase o mesmo: que os números governavam o mundo.

Enfim, para eu, que não sou muito afeito aos números, o mundo é mesmo governado pela música.

Há uma música universal tocando e só as sensibilidades mais aguçadas são capazes de a captar, sendo a música como a conhecemos, apenas uma expressão singular dessa música universal. Pois há música no ato de criar, seja ele qual for; há música no trabalho, quando gostamos do que fazemos; há música no amor, quando estamos apaixonados; há música nas nossas vidas, quando estamos com saúde e ganhamos o suficiente para pagar as contas, investir e economizar. Há música quando conseguimos “reger” todos essas facetas do nosso ser, de tal forma que todos eles trabalhem em harmonia: a saúde, o amor, as finanças, a realização profissional.Quando um deles desafina, desafinamos como um todo e como, na música, um desafino é sempre desagradável ao ouvido.

Os povos primitivos viviam em harmonia com a natureza. Seus ciclos de nascimento, crescimento e morte. A civilização afastou o homem do seu meio e ficou mais difícil para ele apreender o ritmo natural.

Há muitas dissonâncias hoje que são fonte de doenças, desajustamentos, exclusão e violência. O homem não vive mais em harmonia com o seu meio. Se despersonaliza, não se reconhece naquilo que faz. O trabalho lhe obriga a cumprir horário, a fazer coisas que não tem vontade. Não é por acaso que o índio morria quando escravizado. Tirado do seu meio era obrigado a empregar a sua força de trabalho para gerar a riqueza de poucos. O que ele não entendia. Na natureza tinha tudo do que precisava e só agia quando realmente necessário.

O trabalho - e mais ainda a sua falta, pois o meio lhe impõe isso - é a maior fonte de stress do homem moderno, pois o obriga a um ritmo que não é o seu.

Na medida do possível tem de haver uma adequação. O homem tem de o ajustar ao seu ritmo interior. Quer dizer, escolher aquele que mais se adequa a si. O que é um privilégio para poucos que podem preparar-se adequadamente para o exercício de uma profissão realmente satisfatória. Não apenas como um meio de subsistência, mas também como fonte de realização. A sensação que se está cumprindo com aquilo para que se nasceu.

Mas estamos chegando lá. A civilização pós-industrial começa a ser dar conta de que o homem tem de ser o centro das suas preocupações. Garantir o seu bem estar, a satisfação com o seu trabalho e a sua saúde. Só assim haverá produção de qualidade, pelo menos naqueles setores em que o produto é esforço da inteligência, da sensibilidade e da criatividade. Às máquinas deixamos o trabalho duro e burro. Máquinas que, uma vez pensava-se, iam substituir o homem. Sim, substituíram, mas só naqueles trabalhos que não exigem criatividade e inteligência. Cada vez mais o homem pode se liberar para essas tarefas. E para essas, tem de estar bem consigo e com seu meio. Em harmonia.

Algo que, nos dias atuais, todo mundo começa a buscar, na medida em que está ficando cada vez mais claro que a saúde não é só uma condição orgânica, mas também fruto de um estado psíquico e emocional equilibrado. O que só se consegue quando se escuta a música interior de cada um e ela vibra na mesma freqüência com o seu meio.

Sócrates dizia: conhece-te a ti mesmo. Poderíamos complementar este provérbio com: escuta-te a ti mesmo! Busca sintonizar o teu ritmo interior com o ritmo do Universo, pois quando eles vibram juntos, tudo flui melhor. O que de certa forma define o conceito de sinfonia. Do grego sym- reunião, com – phonia – sons, vozes. Reunião de sons e vozes.

Toquemos juntos, então!

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