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44. O Elogio da Leveza

Leve, muito leve. Sou adepto da leveza.

Para lutar um guerreiro tem de ser leve, se movimentar com rapidez, sem deixar de ser mortal. E para sê-lo, não precisa muito. Basta uma boa arma e habilidade.

Assim o escritor.

Convém não se sobrecarregar - de informações, regras, conhecimentos, experiências - para a luta com a palavra, sob pena de se ficar pesado demais e não se conseguir atingir o objetivo: o coração do leitor.

É preciso ser leve, lembram?

Leve, mas sem abrir mão da profundidade. Apenas um corte profundo e rápido, como o produzido pela katana - a espada de um samurai. Já para escapar dos golpes do inimigo, basta mobilidade. E isso não se consegue com armaduras pesadas.

Há uma história na Bíblia sobre esse fato.

Quando Davi foi enfrentar Golias, Saul, o rei dos judeus, emprestou-lhe a sua armadura. Davi a experimentou, mas sentiu que ela era pesada e lhe tolhia os movimentos. Preferia lutar sem ela, munido apenas da sua funda.

O final da história todos conhecem.

Outro exemplo, extraído da História:

O Titanic não conseguiu desviar do iceberg porque era grande e pesado demais. Uma vez posto em movimento, a força da inércia gerada por seu peso – aquela força que tende a manter um corpo em repouso ou em movimento indefinidamente – dificultou a ação dos lemes e dos motores. O desastre se tornou inevitável.

Poderíamos ilustrar com outros exemplos essa oposição da leveza ao peso, como fatores determinantes do sucesso ou fracasso numa luta, seja da palavra, seja das armas. Mas basta-nos, por ora, esses dois.

Afinal é preciso ser leve para não sobrecarregar o leitor.

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