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YOANI SÁNCHEZ É DE DIREITA?

A visita da blogueira cubana Yoani Sánchez ao Brasil está causando uma verdadeira confusão nos conceitos tradicionais do que é ser de direita e de esquerda.

Tradicionalmente identificada com a oposição, a esquerda sempre representou a contestação aos valores postos, a ala dos que exigem reformas, alinhada, pois, com os movimentos que lutam pelos direitos humanos, por um meio ambiente sadio e por uma sociedade mais justa. Contra, portanto, aos interesses do capital e das grandes corporações que visam o lucro, antes de mais nada.

Contudo, a chegada de Yoani Sánchez ao país está causando um verdadeiro rebuliço de conceitos.

Causa estranheza que alas da esquerda do país a estejam hostilizando, enquanto setores da direita a recebam de braços abertos, afinal não me parece que essa pessoa tenha qualquer vinculação com um lado ou com o outro. Até onde eu sei, a causa pela qual ela luta é pelo fim da ditadura em Cuba. Luta que por certo interessa a muita gente, sobretudo ao EUA. Contudo esse fato por si não só não quer dizer que haja um alinhamento ideológico entre ela e o Tio Sam.

Embora tenha a pretensão de representar a materialização do sonho comunista, Cuba, assim como a Coréia do Norte e a antiga União Soviética, há muito tempo deixou de representar esse ideal, afinal é nítido o descambamento desses regimes para a ditadura e o totalitarismo. Lutar, pois, contra eles não parece que faça dos seus opositores simpatizantes do capital, da exploração dos trabalhores, da concentração de renda, da desigualdade social e das agressões ao meio ambiente.

Nesse contexto, é surpreendente a manifestação de alguns setores de esquerda – quiçá movido pela manus longa do Regime Cubano – contra a presença de Yaoni em nosso país. De outra parte, é no mínimo engraçada a dança de acasalamento em torno dessa senhora ensaiada por figuras tradicionamente ligadas ao capital e aos regimes despóticos, tal como Ronaldo Caiado e Jair Bolsonaro, que na visita que a blogueira fez a Brasília, sentaram-se aos seu lado. Assim como oportunistas de plantão, com pretensões eleitorais, como o virtual candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves e outros.

Mais coerente de todos, o senador Eduardo Suplicy estava presente, pois me parece que para além do maniqueísmo das cores partidárias, esse senhor consegue enxergar o ser humano por trás do personagem criado por Yoani, e mais longe, as suas aspirações mais profundas que é de viver em uma sociedade livre, juste e solidária, conforme, aliás, está expresso no art. 3º de nossa própria Constituição Federal.

E nesse sentido a constatação que se faz é que o maniqueísmo da direita e esquerda se revela pequeno para dar conta do mundo complexo em que vivemos. Afinal as causas hoje são tantas e tão variadas que nenhum partido ou ideologia coerente tem condições de abrigá-las em seu programa.

Não admira, pois, a confusão em que se meteram aqueles que resolveram fazer a defesa ou o ataque a essa personalidade pública. Cabia, isso sim, um pouco mais de preparo a essas pessoas para captarem os matizes que a caracterizam, pois ninguém em sã consciência pode ser contra uma pessoa que luta pela democraia, pela liberdade de expressão, pelo pluralismo político, utilizando-se para isso da palavra escrita e das denúncias das mazelas de um país que se agarra aos fantasmas do passado.

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