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GABRIEL BASTOS, UMA REFLEXÃO.

Comovente a introdução que Gabriel Bastos faz do seu livro “Atlântida”. Livro que o Projeto Passo Fundo resgatou do conhecimento restrito de poucos para dispô-lo ao conhecimento de todos, através da internet, em formato ebook.

Temos a tendência de achar que as coisas para os outros são sempre mais fáceis, seja pela sorte, seja fortuna, seja pelas circunstâncias. Contudo, quem vê a obra pronta não sabe os percalços que sofreu aquele que a criou.

Não é de hoje que ser escritor é um desafio para poucos, sobretudo no interior. Um pouco de teimosia, um pouco de necessidade, um pouco de desespero são os ingredientes de que necessita todo aquele que quer chegar à maturidade carregando essa chama. A chama da vontade de acrescentar um pouco de beleza a este mundo vil.

Com Gabriel Bastos não foi diferente. Ao contrário, acrescente-se a tudo isso o atraso em que vivíamos nos idos do século passado e ter-se-á a justa dimensão do que era produzir um livro naquela época.

Reproduzo abaixo as palavras do autor, porque ninguém melhor do que ele para falar da sua própria obra:

“Jamais escrevi um livro. Em tempo algum julguei-me capaz disso. Minha atividade nas letras, desde a mocidade, nas escassas horas de lazer até a velhice, com a mesma escassez de tempo, foi medíocre: artigos para jornais, políticos, quando moço e, depois, assuntos vários e versos sempre medíocres, pois, nunca manuseei qualquer opúsculo de arte poética para conhecer o ritmo, medida e harmonia necessárias à expressão metrificada. A única cousa que publiquei em folheto quando Presidente da Liga de Defesa Nacional, foi uma conferência de propaganda de brasilidade. Depois, velho, sem o dinamismo preciso para o desenvolvimento da instituição, pedi substituto.”

Atlântida foi publicada em 1948. Os desafios enfrentados pelo autor, naquela época, são os mesmos de hoje. As angústias de autor do interior, nunca se achando suficientemente preparado para a publicação, as incertezas sobre o valor daquilo que produziu, a falta de orientação, de mestres, de indicações no caminho... tudo. São as mesmas aflições de hoje.

Por isso a importância do resgate das obras daqueles que nos antecederam. Elas são a prova de que não há novidade nos nossos medos ao publicar um livro no interior, sem o suporte de uma grande editora por trás, sem o preparo de uma formação em oficinas ou na companhia dos grandes mestres.

O que evidencia, também, como lamentável esse fato. Pois passado tanto tempo do depoimento de Gabriel Bastos, vemos que evoluímos muito pouco nesse quesito: formar autores. Engatinhamos ainda nessa parte, em comparação com as capitais e olha que somos a Capital Nacional de Literatura. Que dirá as outras cidades!

Sirva de reflexão esta constatação.

A história sempre nos faz pensar, porque demonstra que os erros do passado, por mais que o queremos evitar, como diria Renato Russo: “...somos como nossos pais...” , quase sempre, acabamos os repetindo.

Está na hora de mudar isso.

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